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20/03/2004 02:15
No canto da sala, fiquei olhando as malas, o telefone, a tv, ele andando de um lado pro outro, esbaforido, preocupado. Que espécie de sentimento era aquele que me tirou do cenário e dissolveu minha personagem, fazendo de mim espectadora da minha própria tragicomédia?
- Está na hora?
- Não sei, são nove, eu acho...
- Nove?! Tenho que ir, querida.
- Eu sei... - engole o choro, engole o choro, engole o choro! - Você acha que volta, próximo ano?
- Não sei, mas ainda vamos nos rever nessa vida - piada infame!
Ele pegou as malas, passou a vista pela casa como se quisesse ter certeza do que estava deixando pra trás.
- Me escreve?
- Prometo. - respondi sem vontade.
Virei o rosto pra não ser beijada. Choro... Senti a porta fechando. Ainda quis me mover, quis gritar; ainda pensei que era irreal, que ele voltaria depois da primeira esquina, que a minha falta pra ele seria insuportável, que ele ia voltar e desistir de tudo, de São Paulo, da Espanha, da vida nova em qualquer outro lugar longe de mim.
Tantos homens que amei, tanta saudade. Nenhuma carta, ninguém voltou. Nunca fui amada.
enviada por Mary Jane
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